BNDES rejeita empréstimo para contrução do novo Verdão, em Cuiabá

Fonte: 24Horasnews

 Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) negou empréstimo ao Governo de Mato Grosso para obras de construção da nova Arena Multiuso do Verdão, a ser edificado para abrigar jogos da Copa do Mundo de 2014. A revelação foi feita pelo presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Saneanco), José Roberto Bernasconi, ao considerar que o Governo Federal terá de injetar mais recursos nos Estados para viabilizar a construção de arenas multiuso para a Copa.   A obra do novo Verdão está estimada em R$ 440 mihões.

Além de Mato Grosso, entraram com carta-consulta para contratação de financiamento os estados do  Amazonas (R$ 400 milhões), Ceará (R$ 351,5 milhões) e  Bahia (R$ 400 milhões).  O BNDES abriu linha de crédito de R$ 4,8 bilhões para os 12 estádios envolvidos na Copa-14. Os governos estaduais precisam respeitar seu limite de endividamento para obter o empréstimo. O banco pode emprestar até R$ 400 milhões ou 75% do valor de cada projeto.

A recusa do BNDES pode ter ligação estreita com a questão envolvendo o empréstimo feito para a compra de equipamentos e máquinas, no ano passado. O Ministério Público detectou superfaturamento total de cerca de R$ 26 milhões no programa MT 100% Equipado.  Somente no caso dos caminhões, houve um sobrepreço de R$ 40 mil por veículo, sendo que o Estado pagou R$ 246,315 mil por um veículo que poderia ser comprado diretamente por R$ 176 mil.

"Ninguém recebeu nada ainda, estão todos esperando. É questão de tempo, necessariamente haverá aporte do Governo Federal para ajudar os Estados. O Governo terá de analisar caso a caso, é uma solução intermediária” – disse José Roberto Bernasconi.

O  prazo para o início das obras nas arenas já estourou duas vezes. Pelo menos quatro estádios terão de estar prontos até dezembro de 2012 para a Copa das Confederações, que acontecerá no ano seguinte e servirá de teste da Copa-14 para a FIFA. O tempo médio para se erguer um novo estádio é de cerca de dois anos e meio. Em Cuiabá, a nova arena ainda não começou a ser edificada. As obras estão ainda em fase de demolição do velho Estádio Governador José Fragelli.

Para o presidente do Sinaenco-SP, um dos fatores que reduz o interesse do setor privado é a dificuldade de administrar as arenas multiuso após a Copa. "Em algumas partes do país, o tíquete médio é de R$ 10 a R$ 15. Mesmo com shows, quantos shows da Madonna você precisa fazer por ano para viabilizar um estádio desses?" – frisou, em entrevista a Folha Online.

Um estudo elaborado por Fabio Giambiagi e Luiz Antonio Souto, do BNDES, identifica os problemas para o êxito desse tipo de empreendimento. Com base na experiência europeia com arenas multiuso, os projetos só funcionam se, após a obra, uma empresa especializada ampliar a bilheteria.  Isto pode ocorrer por meio da venda antecipada de carnês, ou com aumento do preço do ingresso, ou de receitas complementares (shows, camarotes patrocinados, área VIP e espaço para conferências).

Além disso, é necessária a existência de um clube grande que use a arena para jogos e que a capacidade do estádio seja ajustada à demanda. Na Europa, os estádios viáveis ficam entre 35 mil e 45 mil lugares.

No Brasil, o banco identifica como entraves o ambiente pouco profissional na administração dos clubes, as barreiras à ampliação da bilheteria, a necessidade de recursos públicos vultosos para viabilizar os projetos e um meio empresarial pouco acostumado ao uso de canais de marketing esportivo.


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