Riva defende que João Emanuel renuncie a Presidência da Câmara

Fonte: Olhar Direto

O deputado estadual José Riva, secretário-geral do Partido Social Democrata e sogro do vereador João Emanuel (PSD), defende que o genro renuncie a Presidência da Câmara de Vereadores de Cuiabá. Emanuel está no “olho do furacão” de uma investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que apura um suposto esquema de fraude em licitação, falsificação de documentos públicos e grilagem de terras.

 

“Eu defendo que ele renuncie a Presidência e assim busque recomeçar na vida-pública”, disse José Riva, durante o 1º Seminário Cenários Estratégicos Mato Grosso, na tarde desta segunda-feira (02). “Ele tem que recomeçar do zero. Precisa repensar sua atuação política”, completou.

 

Para o parlamentar, apesar de a Prefeitura de Cuiabá, comandada por Mauro Mendes (PSB), expoente político de um grupo antagônico ao de Riva e João Emanuel, ter tido envolvimento para a “fabricação” do vídeo em que o vereador aparece negociando uma licitação, nada justifica as postura do genro na gravação.

 

“Ninguém forçou ele a falar nada”, disse o parlamentar estadual. Ele também lamentou o fato de João Emanuel ter usado os nomes Riva e Silval durante a negociação. “Ele tentou passar credibilidade e usou o nome de pessoas que sequer tinham conhecimento do que ele estava fazendo”, ponderou José Riva.

 

José Riva já havia concedido entrevista na manhã desta segunda, quando criticou o fato de o vídeo no qual João Emanuel aparece negociando uma licitação ter sido feito com envolvimento de servidores da Prefeitura de Cuiabá. “Obviamente ele é o responsável por aquilo que ele falou. Agora, quem faz esse tipo de armação, tem vida curta na política. As pessoas não confiam para nada!”, reclamou.

 

O Esquema

 

De acordo com as investigações do Gaeco, João Emanuel estaria envolvido em um esquema de “grilagem”. Ele falsificaria documentos públicos de imóveis e os utilizava como garantia para agiotas, a fim de captar recursos para campanha eleitoral de 2014, na qual concorreria ao cargo de deputado estadual.

 

Os proprietários dos terrenos seriam pagos com ofertas de participação em processos licitatórios fraudados na Câmara Municipal. A gráfica Documento é um dos empreendimentos com participação suspeita em licitações. A empresa venceu o pregão presencial 015/2013 e firmou o contrato 001/2013, o primeiro da atual gestão de João Emanuel. A favor da empresa foram empenhados mais de R$ 1,6 milhão para prestação de serviços gráficos e fornecimento de material de expediente para escritório.

 

João Emanuel já foi acusado de participar de esquemas de grilagem em 2011 e 2012, em um esquema que contaria com apoio de advogados e cartórios. Na época, o caseiro Miguel Vieira, que morava e cuidava de uma área da Certa Empreendimentos Imobiliários Ltda, afirmou ter sido “perseguido” pelo vereador para passar a posse do terreno em troca de casas populares e benefícios da Prefeitura de Cuiabá.

 

Vieira acabou tendo que se ausentar do local com a família para realizar um tratamento de saúde em São José do Erval (RS) e lá ficou sabendo que a área havia sido invadida por terceiros. A disputa pelo terreno então foi parar na esfera judicial, onde o grupo ligado a João Emanuel Moreira Lima e seu irmão, o advogado Lázaro Moreira Lima, usou a matrícula de outro imóvel para tentar colocar o terreno, avaliado em R$ 45 milhões, sub judice. Já naquela época era ventilado que os terrenos eram usados como garantias para financiamentos. (Leia mais AQUI)

 

Ano turbulento

 

Ser alvo da operação do Gaeco é mais um dos problemas enfrentados pelo vereador João Emanuel no decorrer do segundo semestre de 2013. Em setembro parlamentar foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE) por participar de um suposto esquema de vendas de sentença organizado para conseguir a soltura de narcotraficantes internacionais da família Pagliuca.

 

De acordo com a denúncia do MP, o vereador era a mente pro trás das ações do estudante de direito Marcelo Santana para tentar cooptar o assessor da Vara do Crime Organizado para redigir uma minuta de decisão favorável à liberação da família Pagliuca. Interceptações telefônicas comprovariam a participação de João Emanuel, que na época dos fatos ainda era candidato a vereador.

 

Em agosto e setembro, o vereador protagonizou uma luta judicial para se manter como presidente da Câmara. João Emanuel enfrentou um pedido de afastamento por conta de quebra de decoro assinado por 16 vereadores, que em uma sessão sem energia elétrica nem notas taquigráficas, ratificaram a proposta. O caso foi parar na Justiça e, depois de muitas liminares, sendo presidente em sessão sim, sessão não, o parlamentar conseguiu se estabilizar novamente no cargo após selar as pazes com a base governista.


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