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Após dificuldades, mulher se torna 'marida de aluguel' e luta contra preconceito

Fonte: RedeTV! | Publicado em: 08/02/2018 às 08:40
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A curitibana Nattasha Nobre, de 31 anos, decidiu quebrar paradigmas após perder o emprego e terminar seu segundo casamento. Em busca de recolocação no mercado de trabalho, ela resolveu se tornar "marida de aluguel", oferecendo serviços de elétrica e reparos rápidos e, embora a função não seja muito comum, atualmente essa é sua única fonte de renda . "Em 2008 comecei a fazer um curso técnico em Edificações e, depois de fazer estágios, me apaixonei pela área. Em 2009 tive um filho e as pessoas, de um modo geral, falavam que eu jamais me formaria, que eu tinha que cuidar do meu filho, da casa e do marido", disse, em entrevista ao Portal da RedeTV!.

 

Mesmo com as dificuldade e pré-julgamentos, Nattasha não se deixou abalar e seguiu firme, recebendo seu diploma em 2014. "Me formei com uma ótima aprovação, nota 9,3 no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e estava empregada como técnica orçamentista numa empresa de climatização. Com a crise, em 2016 fui demitida e cinco dias após a notícia meu marido resolveu ir embora", compartilhou ela, explicando ainda como teve a ideia de se tornar 'marida de aluguel'. "Depois disso tudo fiquei pensando o que eu poderia fazer com o conhecimento que tinha e lembrei de um clube no Facebook para mulheres empreendedoras. Publiquei lá, oferecendo meus serviços e fui divulgando semanalmente", contou a paranaense.

 

Foto: Arquivo pessoal

 

Cursos para pedreiro, azulejista e instalador hidráulico compõem o currículo de Nattasha, mas, segunda ela, suas grandes paixões são pinturas e pequenos reparos como trocar tomadas, lâmpadas ou chuveiros. Atualmente, dependendo do nível de dificuldade e do prazo de entrega dos serviços, ela conta com a ajuda de outros profissionais e ela revelou ainda que pretende expandir o negócio futuramente: "Tenho essa ideia já há cerca de um ano e adoraria poder qualificar mulheres ou realizar parcerias para atender mulheres também". 

 

Atualmente morando em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, ela conta que os valores dos serviços podem variar bastante, mas a média, por metro quadrado, de qualquer pintura, sai em torno de R$10,00. "Esse valor é mais baixo que o serviço feito por um homem ou por empresas. Me dedico totalmente à obra e cobro mais barato porque muitas vezes minhas clientes são mulheres, que moram sozinhas e são batalhadoras. Por isso não justo cobrar um valor absurdo pelo meu trabalho", explicou. 

 

Sobre preconceito, ela disse que sofre desde quando decidiu começar com o ofício e compartilha o episódio do dia em que perdeu um serviço pelo fato de não ser um homem. "Perdi uma obra por ser mulher. O engenheiro responsável disse que eu até podia ser competente e ter qualificação, mas que nenhuma mulher entraria na obra dele. Fiquei revoltada e, inclusive, naquele dia coloquei na minha cabeça que lugar de mulher é onde ela quiser. Esse episódio foi o mais marcante, mas sempre tem algumas piadinhas de que 'mulher não dá conta, que é bonitinha demais para o trabalho pesado ou que não aguenta bater um concreto na mão'. E olha que aguento, sim [risos]".

 

Nattasha ainda aproveitou para mandar um recado a todas as pessoas que julgam seu serviço como algo exclusivamente "para homens": "Trabalho é trabalho. Desde que seja digno, para mim, não existe diferença de gênero na execução e esse é um preconceito do século passado. Mudem o conceito de vocês".

 

Foto: Arquivo pessoal





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